20November2019

Irmãs Franciscanas Bernardinas

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Ir. Teresa na JMJ

Jornada Mundial da Juventude – RIO 2013 - pelos olhos da nossa Ir. Teresa Fátima Santos. Ir. Teresa mora em Caxias do Sul, RS, onde ela estuda e atua na comunidade Nossa Senhora de Fátima. Ela integrou num grupo de jovens que foram para o encontro no Rio de Janeiro. Leia mais, para a reflexão que ela mandou sobre a experiência.

A nossa jornada teve início em Farroupilha com a celebração do envio presidida pelo Bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom Alessandro Carmelo Ruffinoni, às 11 horas do dia 21 de julho, após nos despedirmos dos nossos amigos, irmãs e familiares, tendo partido em viagem com um comboio de quatro ônibus, rumo ao Rio de Janeiro.


O primeiro momento marcante foi a nossa chegada ao santuário de Nossa Senhora de Aparecida, quando pudemos visitar o Santuário. O encontro com a mãe Aparecida, para maioria, foi a primeira visita. A alegria e a emoção por poder tocar, chegar perto, e sentir a energia daquele espaço sagrado provocou lágrimas em muitos dos jovens que participaram conosco. A emoção era crescente a medida que nos encontrávamos com muitos jovens peregrinos que, assim como nós, rumavam ao Rio de Janeiro. Havia jovens da Argentina, Paraguai, e de todos os cantos dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


Seguindo a viagem, após a visita em Aparecida, por voltas das 22 horas do dia 22 chegamos em Realengo, no Rio de Janeiro. Depois de uma calorosa acolhida por parte de uma voluntária fomos conduzidos à Escola Municipal Tasso da Silveira, local que há dois anos atrás fora palco de uma tragédia, na qual um jovem que sofrera " bullyings" de parte de seus colegas, resolveu se vingar e fatalmente tirou a vida de doze estudantes, entre eles, adolescentes e crianças. Mas nada disso nos abalou, pois, demonstramos nossa fé, respeito ao local e àquelas pessoas que com muito carinho e alegria nos acolheram.


Depois de nos organizarmos e nos dirigirmos às salas, fomos dormir sem janta, pois era tarde e não podíamos mais sair para comprar alimentos. Foi então que cada um dividiu seu lanche com os demais e pudemos dormir sem fome naquela primeira noite.


No dia 23 pela manhã nos dirigimos para a Paróquia São José. Dividimos os grupos em grupos menores e escolhemos um coordenador para cada grupo. O nosso grupo ficou com doze integrantes. Depois de um momento de oração, escolhemos batizar o grupo com o nome "os doze". Ainda não dispúnhamos de nosso kit peregrino e por isso não tínhamos direito ao café da manhã. Encontramos uma padaria e compramos um café coletivo e partilhamos ali mesmo. De volta à Igreja São José nos integramos a outros grupos de jovens vindos do Maranhão, Pará, Mato Grosso do Sul (Dourados), brincamos, cantamos e trocamos experiência.


Já integrados, curiosos, dirigimo-nos para Copacabana para o almoço. Sem o kit peregrino, tivemos que custear nosso primeiro almoço, que demorou cerca de uma hora, devido às longas filas. Começou chover muito, e pela primeira vez uma de nossas colegas foi socorrida por uma senhora carioca que se desfez de seu cachecol e o presenteou para salvá-la do frio.
Em Copacabana participamos da abertura da Jornada Mundial da Juventude, com o discurso do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, seguido de oração, terço missionário, e oração das vésperas. Em seguida, foi feita uma homenagem aos papas com o pronunciamento do presidente do pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko. A programação do dia terminou com apresentações musicais. Nossos colegas que foram retirar nossos kits chegaram após 7horas de fila. Ficamos felizes por estarmos de posse de nossa bolsa com o kit completo, que era composto por um crucifixo, credencial peregrino, cartão para alimentação, cartão para passagem, bolsa, boné, e três livros entre eles o guia peregrino. Terminadas as celebrações, seguimos em direção ao metrô. No caminho soubemos que o metrô tinha parado de funcionar por falta de energia elétrica. Houve quem dissesse que havia sido sabotagem, e assim surgiram diversas informações desencontradas, sendo que por fim, recebemos a informação que o metro funcionária até somente até às 22 horas.


Mesmo com informações adversas o grupo decidiu caminhar até o metrô. Nossa primeira surpresa foi de não termos ideia de como encontrar o final da fila. Após longa caminhada, sem alcançar o final da fila, percebemos que já nos aproximávamos das 21 horas, então resolvemos voltar para procurar um ônibus. Tudo era muito lento, havia muita gente. Chegamos ao ponto de ônibus e encontramos tudo parado, pois a multidão tomou conta de todas as ruas, e tudo parou. Nada se movimentava e os poucos táxis que apareciam estavam lotados. Os ônibus não conseguiam prosseguir, até que entramos num ônibus com todas as poltronas ocupadas e mais três filas no corredor. Ao chegar à Central do Brasil, fretamos um Carro Alternativo, conduzido por um motorista super-bacana que nos levou até Realengo. Chegamos em torno de 1h45mim da manhã, todos sãos e salvos, apenas muito cansados, molhados e com fome... fomos dormir...


Dia 24, pela manhã, animados e já refeitos, fomos até o um local chamado Sambola, em Trindade, onde aconteceram os três dias de catequese e onde também retirávamos nosso café da manhã.
Toda essa logística, que não só foram viagens para deslocamento de um ponto a outro, foram momentos de encontros, trocas de experiências, e conhecemos também o medo pela lotação dos ônibus e a alta velocidade com que os motoristas trafegam no Rio de Janeiro. Isto foi tema de algumas das tantas paródias que criamos em uma noite quando voltávamos para casa com um grupo de Goiânia, no qual o ônibus levava, no mínimo, umas 70 pessoas. "Oh motorista, podes correr porque os goianos não tem medo de morrer" "Oh motorista, não corre não, porque os gaúchos vão morrer do coração".
E ainda, partilhando mais sobre o que foi a Jornada Mundial da Juventude, além das lições de vida que tivemos através da palavra dos Bispos que nos ministraram a catequese, a cada momento vivíamos novas situações, novos acontecimentos, novas histórias, algumas delas criadas por nós mesmos, temperadas com a criatividade e espontaneidade de cada membro de cada grupo.
A catequese foi ministrada em três manhãs por Bispos convidados, sendo que cada manhã era abordado um tema. Os tema centrais foram que "o Jovem seja Apóstolo pela oração" "Não vos inquieteis com nada; mas apresentai a Deus todas as vossas necessidades pela oração e pela súplica, em ação de graças."(Fl 4,6)


Todo jovem vive uma inquietação diante das incertezas do momento histórico e também por característica do estágio da vida em construção, mas que esta inquietação não seja um desculpa para se acomodar, ou buscar caminhos alheios ao de Deus. O convite é que não se perca de vista o mestre. "Não vos inquieteis com nada!"


A outra convocação é como fazer discípulos? "Dia após dia, unanimes, mostravam-se assíduos no templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. E o Senhor acrescentava cada dia ao seu número os que seriam salvos." (Atos 2,46-47)


A esperança é que todo o jovem que participou da jornada Mundial da Juventude seja protagonista da conquista de muitos outros discípulos, que busque construir um mundo mais fraterno, de paz, de solidariedade, de justiça participando de iniciativas e projetos que primam pela vida.


O Papa em suas reflexões por diversas vezes fez o apelo aos jovens que ocupem o seu espaço e que os lideres da igreja cedam espaço nas paróquias. Chegou a dizer que a "Paróquia" é a casa da juventude. " ai de mim se eu não anunciar o evangelho!" (1Cor 9,16). Está é a expectativa da igreja pós-jornada Mundial da Juventude: que todos aqueles que tiveram o encontro pessoal com o redentor possam ouvir a voz do Senhor lhe dizendo: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos constitui para que ide e produzais frutos e o vosso fruto permaneça" (Jo 15,16) E que com este espírito as estruturas possam abrir as portas para o jovem participar, que se tornem leve e abertas a alegria e disposição dos jovens.


O que vimos nestes dias de peregrinos foi muita partilha e solidariedade. Vale destacar a acolhida dos Cariocas, sem distinção de idade, todos eram disponíveis e atenciosos ao dar informações, em caminhar juntos para mostrar e dar segurança no caminho. Entre os grupos de jovens que se espalhavam pela cidade havia muita alegria sempre uma saudação amiga quando nos encontrávamos no caminho, nos ônibus ou trem, muito canto, grito de guerra, de animação, hinos de sua pátria, troca de lembrancinhas e fotos. O que se via era um verdadeira harmonia, sem registro de qualquer violência, sem destruição. Pelo contrário, muito cuidado com o meio ambiente, em especial o lixo. A vontade de ver o Papa de perto fazia com que houvesse acordo de espaço, também para fotografar quem conseguia subir em banco, árvore, poste, fotografava para os demais. A troca via Facebook foi a tônica, hoje a JMJ está conectada.


Mesmo falando idiomas diferentes dos 20 países representados, não houve dificuldade de entendimento. Sempre se buscava auxilio de alguém que se dispusesse a traduzir, ou se isso não era possível, o abraço e o sorriso era o meio de comunicação.


Foi uma experiência nunca vivida antes.


Ir. Teresa F. Santos

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